De leite do bebé

Cristina Pincho  |  03/09/2019
A minha cruzada contra a dor na amamentação Tenho uma cruzada em relação à dor na amamentação: amamentar não tem de doer! Se a maior parte das vezes dói? Dói e dói muito.  Tal como se eu puser a mão numa panela a escaldar também me vai doer e doer muito. A diferença é que eu não vou deixar a minha mão na panela a escaldar, vou retirar rapidamente e corrigir o que está mal e a causar a dor.  Com a amamentação deveria ser assim também. Se está a doer vamos resolver a situação. No entanto, no caso da amamentação é assumido por quase todas as pessoas que a amamentação tem de doer, que no início dói sempre e que temos de ser fortes até nos habituarmos e esperar que passe.  Parece que só somos boas mães se passarmos por este sofrimento físico. Mas a dor é um sinal de que qualquer coisa não está bem e serve de aviso para que possamos resolver a situação. A questão é que como é assumido que a amamentação por definição dói, as pessoas não procuram ajuda e ficam à espera que passe acabando muitas vezes por haver resultados catastróficos causados por uma cascata de acontecimentos que teriam sido de todo evitados se tivéssemos dado ouvidos à dor inicial. Quantas vezes não me acontece vir uma mãe à consulta por estar com dor e a avó da bebé, que a acompanha, está com um ar paternalista a dizer: “É mesmo assim, filha, isto dói muito, também foi assim comigo, mas depois passa”. A dor a amamentar não é normal nem faz parte do processo, apesar de ser bastante comum. Não podemos ignorar ou subestimar a dor na amamentação. No geral, quando falamos de dor, consideramos que ela é um sintoma de uma condição subjacente. No caso da amamentação temos de partir do mesmo pressuposto. Um fator crucial para que a amamentação seja indolor para a mãe, e que o bebé consiga extrair leite de forma eficiente é a adaptação do bebé à mama - a pega.  Repito: a amamentação não tem de doer. Uma boa pega pode ser a diferença entre uma amamentação dolorosa ou prazerosa. Na maior parte dos casos corrigir a pega é o que basta para retirar toda a dor. Nos casos de dor persistente é preciso investigar a causa e possivelmente usar outras técnicas ou mesmo procurar ajuda de outros profissionais. Um consultor de lactação trabalha em equipa com profissionais de outras áreas, pois muitas vezes é necessário um verdadeiro trabalho de equipa para resolver uma situação.  Para mais informações sobre a consulta de amentação, clique aqui.  
Margarida Gonçalves  |  29/05/2019
Eu não tenho filhos, por isso, não vou partilhar convosco uma experiência pessoal de maternidade. Vou falar-vos da experiência da minha avó. A minha avó nasceu no dia 31 de Agosto de 1939 - no dia seguinte deu-se o início oficial da segunda grande guerra mundial, factos que ela gosta de realçar como se um tivesse sido consequência do outro.  Infelizmente, a minha avó tem diabetes tipo II, o mais provável foi também ter tido diabetes gestacional, e isto acarreta consequências. Hoje em dia a minha avó sofre de demência. Uns dias está cá e outros nem por isso. Do que ela se lembra mais vivamente é do passado, tendo uma grande incapacidade para formar novas memórias. Todos os dias, ao fim da tarde, a minha avó vem ter connosco à Clínica, e fica encarregue do turno da noite, como nós gostamos de brincar com ela. Ela sobretudo faz a sua soneca e depois ajuda-nos a fechar a clínica, empilha as cadeiras e arruma os brinquedos Eu acho que ela gosta de cá estar por estar connosco, e em especial também porque, ao ajudar-nos, até se esquece das maleitas que tem. Hoje, antes de começar a sua sesta, estive um bocadinho com ela. Queixou-se de lhe doerem os pés – tem uns sapatos novos e insiste em usá-los porque são fresquinhos e, diz ela, muito confortáveis... Não podemos contradizer uma senhora, não é verdade?!... Contou-me hoje a sua experiência de amamentação, história que eu nunca lhe tinha ouvido. A minha avó teve dois filhos, uma menina primeiro, aos 18 anos (a minha mãe), e depois um rapaz aos 23. Disse-me então que, quando a minha mãe nasceu, o leite não apareceu logo e que o meu avô (jovem farmacêutico de 19 anos) tinha dito que ”ia já buscar o pó”, ao que ela perentoriamente contrapôs: “Não! A força do leite só vem umas horas depois da criança nascer”. Quando o leite apareceu, ficou com as mamas tão grandes que quase não lhes via os bicos. E depois, durante o período em que amamentou a minha mãe, quando sentia que as mamas começavam a encher e a minha mãe ainda continuava placidamente a dormir, ela sentia o leite a sair e a escorrer por ela abaixo e pela cadeira, acabando no chão. A minha avó contou-me isto com grande orgulho e muitas gargalhadas. Orgulho de ter dado leite à filha, orgulho de ter dito que não ao marido (e ele lhe ter eventualmente dado razão) e orgulho no leite tão abundante que jorrava para o chão. Disse-me ela enquando ria: “Eu era uma vaca leiteira!”; e depois a conversa virou para as vacas nos Açores e os imensos prados de que dispõem para pastar. É uma coisa que acontece com frequência nestas nossas conversas: perde o fio à meada e começa noutro tópico.  Mas, nesta conversa com a minha avó, aprendi duas coisas: “A Força do Leite” – neste tempo todo na clínica nunca tinha ouvido esta expressão. O nosso típico “subida ou descida” do leite era, na altura da minha avó, a força do leite. Achei o termo delicioso, e muito mais adequado. A força! (A geek de Starwars em mim fez redobrar o meu sentimento de respeito pela minha avó); É espantoso como estas experiências de maternidade lhe permanecem na memória mesmo apesar da idade, apesar das hipoglicémias e da demência. Espero que ela nunca se esqueça destas experiências que a deixaram tão feliz..  
Marta Alves  |  12/12/2018
O bebé feliz tantas vezes não é o bebé sonhado e idealizado por nós... O nosso bebé idealizado é como os dos anúncios, cor-de-rosinha e roliço, porque mamou logo lindamente e assim continua a fazê-lo. Mostra os seus vários sorrisos enquanto dorme sozinho no seu berço, perdido em sonhos, fazendo sestas de 6 horas seguidas. É aqui, que frequentemente começa o nosso desafio enquanto mães...  [Re]conhecer que aquele pequeno ser, que acalantámos no ventre e que agora nasceu, não cabe nessa "caixa" tão perfeitinha. Talvez o nosso bebé tenha nascido e não tenha conseguido logo pegar bem na maminha… Talvez estejamos cheias de dores, mas como sempre ouvimos dizer que "mãe sofre" e que é preciso “criar calo”, achamos que é normal e que vai passar...  Talvez tenhamos tido “ajuda” de um profissional de saúde que nos deu bicos de silicone (que tendencialmente irão causar mais mal do que bem, fazendo com que o nosso bebé ingira menos leite e nos baixe a produção)… ou talvez lhe tenham dado logo um biberon com leite artificial certeza que era uma hipoglicémia (tantas vezes medida na hora “errada”)… Chegamos a casa com o nosso bebé, que não só não dorme nem perto de 6 horas seguidas, muito menos sozinho no berço, como até passa o dia (e a noite!) a pedir mama… de hora a hora! Vem a sogra e diz "Coitadinho, se chora tanto é porque está cheio de fome! Dever ser o teu leite que é fraco e que não o alimenta..." e a tão bem intencionada amiga, opina "Claro, chora porque está sempre ao colo! Estás a habituá-lo mal!" Todos parecem saber melhor do que nós, aquilo que o nosso bebé precisa e fazem questão de partilhá-lo connosco, pondo-nos a questionar se seremos assim tão boas mães. Depois vem o peso... Ah! O peso! Temos um pediatra que se rege pelos percentis "by the book" ou há aquela enfermeira do Centro de saúde que nos cobra cada grama que o nosso bebé não ganhou e já começa a falar em leite de lata… Se juntarmos tudo isto ao cansaço e à privação de sono, teremos um cocktail perfeito para que tudo comece a descambar! Então, essa é a 1ª premissa do bebé FELIZ: começarmos por gerir as nossas expectativas! É essencial que o façamos, porque os bebés como os dos anúncios, afinal, não são a regra, são sim a excepção. Se temos um bebé que nos magoa a mamar (e que talvez nem esteja a ingerir o leite que devia para se alimentar), buscamos ajuda competente! E rápido, porque cada hora que passa, é uma hora a mais que estamos em sofrimento (quase sempre) desnecessário e que o nosso bebé poderia estar a mamar de forma mais eficiente e prazerosa. E é uma hora que podemos estar mais perto de uma lata de leite! Se temos um bebé que pede colo a toda a hora? Parabéns, o nosso bebé é apenas um bebé "normal"! Pensando de um modo mais lato, esta coisa do “bebé independente" é bastante recente em termos de história da evolução da espécie humana e bastante insignificante em termos geográficos, se pensarmos no espaço que as sociedades (supostamente) desenvolvidas ocupam no mapa do mundo - as tais sociedades que pedem a um bebé que ainda não se alimenta sozinho e nem consegue regular a sua temperatura corporal, que seja independente... Bem vistas as coisas, se era para ficarem mal habituados, creio que o facto de terem andado embalados e com bar aberto 24/7 ao longo de perto de 40 semanas, devem ter sido mais do que suficientes. Ou acham mesmo que era só agora, por já estarem cá do lado de fora? Dizem os antropólogos que vivíamos em tribo e que mães e bebés eram acolhidos nas suas necessidades… e que os bebés nasceram para ser carregados pelos seus cuidadores (sempre que possível, a sua mãe)! O que teria acontecido se há cerca de 3 milhões de anos atrás tivéssemos sido deixados sozinhos a chorar? Será que estaríamos aqui hoje para contar a história? Ou teríamos sido comidos por um qualquer predador? Hoje vivemos num mundo altamente tecnológico, mas os nossos bebés não mudaram assim tanto. Os bebés precisam do nosso cheiro, do nosso contacto, da nossa pele para que se sintam seguros. Para que sintam que "chegaram a casa".  Precisam de mama, não só para se alimentarem, mas para muito, muito mais e já sabemos tanto hoje sobre o importante papel da sucção não nutritiva (e não, eles não estão a fazer das nossas mamas uma chucha, porque as nossas mamas já por cá andavam há muito, quando estas últimas chegaram)! Então, afinal, o que é que é preciso para termos um bebé feliz? Salvo as devidas excepções (com alguma patologia que deva ser encaminhada para um profissional de saúde), os bebés recém-nascidos não precisam assim de tanta coisa... Precisam de colo, mama e rabiosques limpos de vez em quando. Precisam que desliguemos mais a parte racional, que nos faz olhar para o relógio e pôr-nos em causa a cada novo bitaite de alguém, que fujamos a sete pés do Dr. Google se nos aparecer com teorias sobre treinos do sono e sobre deixar chorar os bebés “manhosos”... Precisam que sejamos mais mamíferos e menos racionais! Hoje já não vivemos em tribo e sim numa sociedade desafiante, que faz com que sintamos que temos que estar perfeitas 5 minutos após o parto e que, já agora, continuemos com a casa limpa e arrumada e a roupa lavada, passada e pendurada nos cabides. Então, quando o nosso bebé (finalmente) dorme, em vez de descansarmos com ele, vamos a correr (tentar) pôr tudo em ordem. E o resultado é ficarmos ainda mais exaustas…  Tivemos um bebé! E, na minha modesta opinião, é nesse pequeno ser e no nosso bem-estar que nos devemos centrar neste momento.  Daqui a 5 anos ninguém se vai lembrar de como estava a casa. E quando olharmos para as nossas fotos dessa altura, espero que possamos olhar-nos com amor e gentileza por nós próprias.  Aos poucos, vamo-nos (re)conhecendo, neste (novo) papel de mulher-mãe. Aos poucos, vamos voltando ao nosso corpo.  Aos poucos, a vida vai-se arrumando.  E o tempo que passámos a nutrirmo-nos e ao nosso bebé é único e irrepetível! O que é HAPPYbaby? Há momentos em que sentimos que os bebés pequeninos deviam vir com manual de instruções...  HAPPYbaby foi criado a pensar nos desafios e necessidades dos novos pais, como um momento de calma, empoderamento e apoio ao 1º trimestre, promovendo uma parentalidade mais confiante, suave e consciente. Vamos parar, RESPIRAR, observar com os olhos do coração e, perceber o que os nossos bebés nos estão a tentar dizer. Abordamos as diferentes necessidades de ambas as partes e, em conjunto, procuramos o melhor modo as acolher. HAPPYbaby existe em 2 formatos: - Grupo (workshop ou Círculo de mães), vivendo da dinâmica de voltar à tribo, partilhando emoções, estados de alma e vivências, com quem está a passar pelo mesmo que nós. - Consulta individualizada, permitindo uma atenção mais personalizada às necessidades específicas de cada bebé e de cada família. Proporcionamos ferramentas que permitam aos pais "ler" melhor as dicas transmitidas pelo bebé, bem como vários exercícios e técnicas do Baby Yoga, Developmental Baby Massage, Massagem Shantala, Reflexologia Podal Infantil e Babywearing, assim partilhando estratégias que promovem o vínculo, o relaxamento mútuo e oferecem alívio para os principais traumas e queixas infantis mais comuns, como o refluxo, a obstipação ou as tão famigeradas “cólicas”! Os princípios da Developmental Baby Massage (Massagem Terapêutica de Desenvolvimento Infantil) têm sustentação na neurociência e na psicodinâmica e os benefícios do Baby Yoga e do babywearing são reconhecidos tanto pelos seus praticantes, como pela comunidade científica. Através de movimentos e posturas adaptados à realidade multissensorial e corporal dos bebés, do toque, do contacto físico e afetivo, promove-se o desenvolvimento saudável e integral e a relação emocional entre papás e os seus bebés, proporcionando mais harmonia e aumentando a sua autoconfiança. No final, bebés mais calmos e relaxados. E as suas famílias também!
Graça Gonçalves  |  20/09/2018
É bem verdade que qualquer mãe é uma heroína. Viver numa sociedade sem modelos, ou com modelos que não se coadunam com os nossos sentimentos, fazerem-nos sentir culpadas quando os nossos filhos não encaixam nos padrões, seja porque não dormem 18 horas em cada dia, ou porque mamam a toda a hora ou porque querem andar sempre ao colo, acarreta uma carga de insegurança e infelicidade difíceis de aguentar. Por isso eu venho falar um pouco da história de algumas, das muitas heroínas com que me tenho cruzado ao longo dos últimos anos. S. mãe pela primeira vez, mal “aconselhada” na maternidade onde lhe introduziram mamilos de silicone e leite artificial (o clássico!) e que tendo uma profissão liberal começou a trabalhar quando o bebé tinha menos de 1 mês. A agravar a situação o apoio em casa fazia-se com sugestões de oferta de biberões de leite artificial “porque ia ser mais fácil para todos”. Mas a S. não desistiu e procurou auxílio. Após correção do problema de base na amamentação decidiu que para conseguir ir em frente precisava de tirar algum tempo só para o filho e suspender o trabalho, e inteligentemente “obriga” o marido a andar com ela em todas as atividades que faz com o bebé. Parece já o ter convertido ao leite materno! P. mãe de gémeas nascidas há pouco mais de 1 mês, já era heroína antes deste nascimento. Enfrentou tantas dificuldades com o filho mais velho, tanto a nível de amamentação, como de noites mal dormidas, que só isso já a fazia uma Mulher de exceção. Mas agora, com mais duas belezas em horários desencontrados, a querer a mama a toda a hora, a não sossegar se não estiverem ao colo dela, com os enormes sentimentos de culpa porque não consegue dar a mesma atenção ao primeiro filho, com milhentos problemas caseiros daqueles que não são graves, mas que desmoralizam qualquer um, aqui continua ela, linda e com um sorriso permanente nos lábios. Ela tem o apoio do marido e da família, mas a opinião dos colegas (pediatras de profissão) é que é impossível amamentar gémeos! E no entanto elas crescem…  A mãe T. marcou-me profundamente. Pediatra também, apercebeu-se que com um mês o filho não estava a ganhar peso e que a quantidade de leite que estava a produzir já era pequena por falta de estimulação do bebé. Penso que foi o pânico, a frustração e até a culpa, em que nós mulheres somos exímias. Durante a consulta teremos falado que nem sempre a reversão da situação de ter pouco leite é possível, porque alguns ácinos ficam perdidos para sempre. Ainda agora lamento estas palavras. São reais, mas nunca as devia ter dito a uma mãe que ia lutar para aumentar a produção. E ela lutou! As últimas palavras que me disse na consulta foram: “Ainda lhe hei-de dizer que estou a amamentar em exclusivo!” Cerca de 4 meses volvidos recebi uma mensagem da T.: “Primeiro dia de aleitamento materno exclusivo”. Confesso que chorei de emoção e de felicidade por ela e pelo filho que tem a ventura de contar com uma mãe assim. A M. já tem 10 meses de amamentação e diz na brincadeira que vai amamentar a menina até ela ter 18 anos. Conhecemo-nos através do email da amamentos, por um pedido de ajuda que ela nos fez. Estava com um abcesso, queriam “secar-lhe” o leite e ela estava desesperada achando que devia haver outra solução. E tinha razão. Essa situação foi ultrapassada. Mas outas mastites se seguiram, com as dores que todas sabemos causarem. Nunca a M. colocou a amamentação em questão, submetendo-se a todos os tratamentos e aceitando as nossas sugestões.  Quem sugere a colocação de mamilos de silicone na maternidade, quantas vezes ainda na sala de partos ou recobro, devia ouvir os gritos e o choro de frustração dos bebés quando se tenta voltar a coloca-los na mama nua. E devia também conhecer todo o sofrimento que estas mães têm aos sentirem-se rejeitadas pelo bebé. Oferecer mamilo de silicone para que um bebé extraia colostro é não ter noção de que está a criar um novo problema, resolvendo falsamente a ausência de pega do bebé à mama. Porque o bebé aceita o estímulo que lhe entra na boca e “finge” mamar, mas é impossível extrair um líquido que além de ser em pequena quantidade é naturalmente viscoso. Foi o que fizeram à A. e ao seu bebé. E ela veio até nós determinada a acabar com o uso do silicone. Diferentes tentativas, diferentes posições, acalmar o bebé frustrado, tudo ela suportou estoicamente, perguntando após cada falhanço: “E agora como fazemos?”. Acho que foi a fé dela em que tudo se havia de resolver, de que alguma solução teríamos para ela, que nos deu persistência e incentivo. E realmente o “milagre” deu-se: o bebé pegou na mama e mamou como se nunca tivesse feito de outra maneira. Ouvir aqueles goles enormes e ver o semblante da A., que não ousava mexer-se, para não estragar nada, foram compensação e alento para vários dias menos bons. E a C.F., mulher admirável, que vive há mais de 2 meses com dor nos mamilos, apesar de já termos feito todas as tentativas para melhorar a situação.  A A. L. cheia de inseguranças, mas com a teimosia de quem sabe o que quer, aprendeu a fazer a pega mais correta, extraiu fora das mamadas e ofereceu com sonda, alegrou-se com os aumentos de peso, afligiu-se quando o número de horas que o bebé resolveu dormir foi maior, mas sempre persistiu e tem conseguido amamentar em exclusivo. Mas nem sempre a amamentação em exclusivo é possível. No entanto, não tem que ser o tudo ou nada. Toda a quantidade de leite da mãe que o bebé ingere contém substâncias impossíveis de colocar numa lata. A J. é mais uma heroína. Amamentar e ter que dar outro leite, procurar o ponto de equilíbrio em que “não lhe vou dar tanto para que ele possa mamar o mais possível do meu”, mas ao mesmo tempo ter a garantia de que o bebé tem o aporte suficiente é extremamente difícil. E a maldita balança! Diz ela: “quando o peso, é como se estivesse a ser julgada por ser boa ou má mãe”. Quanta angústia estas palavras traduzem. Claro que ela é uma mãe maravilhosa, a Maior e a Melhor Mãe que o filho dela alguma vez sonhou ter, até porque o ama como nenhuma outra e cuida dele de forma exemplar. Estas são algumas das muitas heroínas com quem diariamente nos cruzamos, mulheres corajosas que lutam em cada dia pelos seus filhos, aplicando os seus super poderes – abnegação, capacidade de sofrimento, teimosia, e sobretudo amor.