De leite do bebé

Graça Gonçalves  |  17/03/2020
Como é de todos sabido a nova realidade epidemiológica relacionada com a doença COVID-19 está a colocar novos e grandes desafios. Apesar do pouco que se sabe acerca deste vírus, em amostras de leite materno analisadas não foram isolados vírus. Para além das sobejamente conhecidas vantagens da amamentação, é também sabido que os anticorpos específicos dos vírus que infetam a mãe passam através do leite materno, começando a assegurar defesas às crianças amamentadas, mesmo antes das manifestações da doença aparecerem. Assim sendo é fortemente recomendado que as mães continuem a amamentar mesmo em caso de infeção por este vírus. A principal fonte de contágio são as secreções nasais e bucais, pelo que deve ser assegurada uma boa lavagem ou desinfeção das mãos e colocação de máscara ou lenço que proteja nariz e boca, impedindo a emissão de gotículas infetadas para a criança. Se a mãe tiver que ser afastada da criança por apresentar um estado de saúde mais agravado, deve ser auxiliada a fazer a extração do leite, que será oferecido à criança por outro cuidador, através de um copo ou uma colher. Amamentar é proteger.   WHO Infection prevention and control during health care when novel coronavirus (nCoV) infection is suspected. - Pontos 12 e 13, March 13, 2020 UNICEF Coronavirus disease (COVID-19): What parents should know March 1, 2020 ABM STATEMENT ON CORONAVIRUS 2019 (COVID-19) March 10, 2020 CDC. Interim Guidance on Breastfeeding for a Mother Confirmed or Under Investigation For COVID-19. February 25, 2020    Photo: Mel Lawler
Cristina Pincho  |  04/03/2020
Não sou CAM sou Consultora de Lactação IBCLC Tenho orgulho em ter feito das primeiras formações em Aconselhamento em Aleitamento Materno que houve em Portugal, no início de 1997. Dessa forma, sem o saber na altura, estava a abrir um caminho que me trouxe até aqui – hoje sou, também com muito orgulho, Consultora de Lactação Certificada – IBCLC – que em todo o mundo é a única profissão certificada na área do apoio à amamentação e lactação humana. Juntamente com outras pessoas abrimos caminho para que em Portugal houvesse um apoio formal à amamentação. O curso de Aconselhamento em Aleitamento Materno foi desenvolvido pela OMS e UNICEF para apoiar a Iniciativa dos Hospitais Amigos dos Bebés dando formação aos seus profissionais para os capacitar a melhor apoiarem as mães. Nós, que fizemos os primeiros cursos e que fomos abrindo caminho para outros, quando nos referíamos à formação que tínhamos dizíamos que tínhamos formação em Aconselhamento em Aleitamento segundo as orientações da UNICEF e OMS. Tínhamos a plena consciência de que tínhamos apenas feito uma ação de formação de 40 h e nada mais do que isso. Com o decorrer do tempo, não sei como nem porquê, as pessoas que posteriormente fizeram esse mesmo curso começaram a dizer que eram Conselheiras em Aleitamento Materno (CAM), como se de uma profissão distinta se tratasse. De tal maneira a situação se generalizou que levou a UNICEF em Portugal a ter de tomar uma posição e a anunciar no seu site, junto à informação dos cursos que promove, que “A Formação em Aconselhamento em Aleitamento Materno é uma aquisição de competências para as atividades profissionais e não um grau académico ou uma profissão distinta.”  Tenho uma inquietude que vive dentro de mim e que me leva a não ficar conformada, a querer ir mais longe. Depois de ter feito esse primeiro curso, descobri a Liga La Leche,(LLL) uma organização maravilhosa, de mãe para mãe, pioneira mundial no apoio à amamentação. Tornei-me moderadora da LLL através de um processo de acreditação que obrigava a um conhecimento muito profundo nesta área. Se dúvidas tivesse de que para apoiar mães era necessário muito mais do que uma pequena formação em aconselhamento em aleitamento materno, deixaram de existir e continuei sempre no meu caminho para mais conhecimento, mais empatia, mais dedicação, melhores formas de chegar às mães, mais experiência e descobri que havia uma profissão certificada – Os consultores de Lactação IBCLC. Era lá que eu queria chegar. Um consultor de lactação* é um profissional especializado na área da Ciência da Lactação para o apoio à amamentação e lactação humana. A sigla IBCLC significa International Board Certified Lactation Consultant, ou seja, Consultor de lactação certificado internacionalmente. Como a amamentação é uma área tão abrangente os consultores de lactação além de formação na área da amamentação e lactação humana têm de ter formação em diferentes áreas das Ciências da Saúde, em Psicologia, Sociologia e Antropologia. Estamos a falar de um assunto sério que envolve a saúde e bem-estar de bebés, mães e toda a família. Toda a seriedade que a certificação envolve não me deixa dúvidas de que é aqui que quero estar. Por exemplo, a profissão de Consultor de Lactação é regulada internacionalmente por uma entidade que funciona como uma ordem profissional – Se pensarmos que “as ordens profissionais são criadas com vista à defesa e à salvaguarda do interesse público e dos direitos fundamentais dos cidadãos e, por outro lado, a autorregulação de profissões cujo exercício exige independência técnica"**, dá alguma segurança procurar um profissional certificado, não dá? E mais, como o conhecimento não é estanque, para sermos Consultores de lactação, temos de nos manter atualizados. Tenho tantas horas de formação na área da amamentação e lactação humana bem como nas áreas afins que nem tenho conta. Um/a Consultor/a de Lactação IBCLC tem de se recertificar de 5 em 5 anos -  não só é uma forma de a garantir que nos mantemos atualizadas como é também uma forma garantir a excelência da profissão. Podia ter feito atalhos, podia ter-me mantido sossegada, podia ter inventado outros nomes para alguma suposta nova profissão, podia dizer que sei muito de amamentação e que a certificação não é importante em si, mas gosto de pensar que sou uma pessoa coerente e coerente com o meu grau de exigência não podia deixar de ser Consultora de Lactação Certificada IBCLC. * O termo Consultor/a de Lactação é o nome abreviado de International Board Certified Lactation Consultant  (IBCLC) – uma profissão reconhecida e não deverá ser usado por quem não tem a certificação conferida pela a IBLCE® ** https://www.cnop.pt/sobre/funcoes/
Carlota Veiga de Macedo  |  26/02/2020
Vou começar pelo princípio... Bem, não propriamente o princípio, mas o dia zero da Clarisse (há exactamente 1 ano atrás).  Confesso que foi diferente relativamente aos outros partos. Os meus partos são fáceis, fáceis no aspecto que são rápidos e consigo gerir a dor sem recorrer a anestesia (só depois de 3 partos soube que fazia hypnobirthing instintivamente) pelo que tudo sempre correu sobre rodas... Agora neste houve uma diferença... Eu estava informada, não só informada, mas convicta, empoderada! (Nem sempre a informação chega... A ansiedade, a dúvida costumam mandar a informação pelo ralo abaixo).  Então fiz tudo a que eu e a Clarisse tínhamos direito, sabem os planos de parto? não fiz mas se tivesse feito era assim, parto muito respeitado sem interferências, e mal nasce a Clarisse veio para cima de mim... E ali ficou! Passado uns largos minutos cortaram o cordão e ela manteve-se colada a mim. Quando se sentiu preparada foi à mama e alí ficou umas 2h.  No hospital há sempre aqueles pormenores da vit K e da pesagem e etc... Vit K foi dada em pele com pele. Pesagem... há pressa? Perguntava eu já sabendo a resposta... Haver não há mas queriam registar o parto e sem esse valor não o conseguiam... Não quero saber, o registo que espere. E ali estivemos no namoro... Conseguia escrever de modo mais científico falando da importância deste momento para a relação, vinculo, amamentação, das hormonas envolvidas, etc... Mas não... É mágico, eu estava pura emoção, olhava para ela e caiam-me lágrimas, e essa sensação ainda hoje se mantém. Eu amo incondicionalmente todos os meus filhos, mas dos outros fui sempre atropelada pela cultura, "tem de dar banho mal nasce" "tem de vestir a primeira roupinha" "tem de ficar no berço" tem, tem, tem... Isso acaba por atordoar emoções e cria ansiedades, porque foge da norma! Nós somos mamíferos!! Precisamos do contacto pele a pele! E não é daquela coisa contada em minutos, "check! Já fez contacto pele a pele!" É um contínuo... É o inclusive vestir a roupa quando mãe e bebé se sentirem preparados e mal queiram voltar ao contacto, e ficarem assim, juntos até o bebé e a mãe se sentirem preparados (o que pode durar uns meses).  Esta maneira, que há quem diga que é moderna mas eu digo, mais primitiva de se estar traz ao de cima não só as emoções já faladas mas uma sintonia mãe bebé brutal, uma comunicação não verbal difícil de se alcançar quando tudo envolve regras e consequentemente distância. Vistam-se com o vosso bebé! O parto não é o fim da gravidez! Acreditem que faz diferença! #Parto #Hypnobirthing #PeleComPele #Amamentação #Imprint #Gravidez #Exterogestação
Cristina Pincho  |  03/09/2019
A minha cruzada contra a dor na amamentação Tenho uma cruzada em relação à dor na amamentação: amamentar não tem de doer! Se a maior parte das vezes dói? Dói e dói muito.  Tal como se eu puser a mão numa panela a escaldar também me vai doer e doer muito. A diferença é que eu não vou deixar a minha mão na panela a escaldar, vou retirar rapidamente e corrigir o que está mal e a causar a dor.  Com a amamentação deveria ser assim também. Se está a doer vamos resolver a situação. No entanto, no caso da amamentação é assumido por quase todas as pessoas que a amamentação tem de doer, que no início dói sempre e que temos de ser fortes até nos habituarmos e esperar que passe.  Parece que só somos boas mães se passarmos por este sofrimento físico. Mas a dor é um sinal de que qualquer coisa não está bem e serve de aviso para que possamos resolver a situação. A questão é que como é assumido que a amamentação por definição dói, as pessoas não procuram ajuda e ficam à espera que passe acabando muitas vezes por haver resultados catastróficos causados por uma cascata de acontecimentos que teriam sido de todo evitados se tivéssemos dado ouvidos à dor inicial. Quantas vezes não me acontece vir uma mãe à consulta por estar com dor e a avó da bebé, que a acompanha, está com um ar paternalista a dizer: “É mesmo assim, filha, isto dói muito, também foi assim comigo, mas depois passa”. A dor a amamentar não é normal nem faz parte do processo, apesar de ser bastante comum. Não podemos ignorar ou subestimar a dor na amamentação. No geral, quando falamos de dor, consideramos que ela é um sintoma de uma condição subjacente. No caso da amamentação temos de partir do mesmo pressuposto. Um fator crucial para que a amamentação seja indolor para a mãe, e que o bebé consiga extrair leite de forma eficiente é a adaptação do bebé à mama - a pega.  Repito: a amamentação não tem de doer. Uma boa pega pode ser a diferença entre uma amamentação dolorosa ou prazerosa. Na maior parte dos casos corrigir a pega é o que basta para retirar toda a dor. Nos casos de dor persistente é preciso investigar a causa e possivelmente usar outras técnicas ou mesmo procurar ajuda de outros profissionais. Um consultor de lactação trabalha em equipa com profissionais de outras áreas, pois muitas vezes é necessário um verdadeiro trabalho de equipa para resolver uma situação.  Para mais informações sobre a consulta de amentação, clique aqui.  
Margarida Gonçalves  |  29/05/2019
Eu não tenho filhos, por isso, não vou partilhar convosco uma experiência pessoal de maternidade. Vou falar-vos da experiência da minha avó. A minha avó nasceu no dia 31 de Agosto de 1939 - no dia seguinte deu-se o início oficial da segunda grande guerra mundial, factos que ela gosta de realçar como se um tivesse sido consequência do outro.  Infelizmente, a minha avó tem diabetes tipo II, o mais provável foi também ter tido diabetes gestacional, e isto acarreta consequências. Hoje em dia a minha avó sofre de demência. Uns dias está cá e outros nem por isso. Do que ela se lembra mais vivamente é do passado, tendo uma grande incapacidade para formar novas memórias. Todos os dias, ao fim da tarde, a minha avó vem ter connosco à Clínica, e fica encarregue do turno da noite, como nós gostamos de brincar com ela. Ela sobretudo faz a sua soneca e depois ajuda-nos a fechar a clínica, empilha as cadeiras e arruma os brinquedos Eu acho que ela gosta de cá estar por estar connosco, e em especial também porque, ao ajudar-nos, até se esquece das maleitas que tem. Hoje, antes de começar a sua sesta, estive um bocadinho com ela. Queixou-se de lhe doerem os pés – tem uns sapatos novos e insiste em usá-los porque são fresquinhos e, diz ela, muito confortáveis... Não podemos contradizer uma senhora, não é verdade?!... Contou-me hoje a sua experiência de amamentação, história que eu nunca lhe tinha ouvido. A minha avó teve dois filhos, uma menina primeiro, aos 18 anos (a minha mãe), e depois um rapaz aos 23. Disse-me então que, quando a minha mãe nasceu, o leite não apareceu logo e que o meu avô (jovem farmacêutico de 19 anos) tinha dito que ”ia já buscar o pó”, ao que ela perentoriamente contrapôs: “Não! A força do leite só vem umas horas depois da criança nascer”. Quando o leite apareceu, ficou com as mamas tão grandes que quase não lhes via os bicos. E depois, durante o período em que amamentou a minha mãe, quando sentia que as mamas começavam a encher e a minha mãe ainda continuava placidamente a dormir, ela sentia o leite a sair e a escorrer por ela abaixo e pela cadeira, acabando no chão. A minha avó contou-me isto com grande orgulho e muitas gargalhadas. Orgulho de ter dado leite à filha, orgulho de ter dito que não ao marido (e ele lhe ter eventualmente dado razão) e orgulho no leite tão abundante que jorrava para o chão. Disse-me ela enquando ria: “Eu era uma vaca leiteira!”; e depois a conversa virou para as vacas nos Açores e os imensos prados de que dispõem para pastar. É uma coisa que acontece com frequência nestas nossas conversas: perde o fio à meada e começa noutro tópico.  Mas, nesta conversa com a minha avó, aprendi duas coisas: “A Força do Leite” – neste tempo todo na clínica nunca tinha ouvido esta expressão. O nosso típico “subida ou descida” do leite era, na altura da minha avó, a força do leite. Achei o termo delicioso, e muito mais adequado. A força! (A geek de Starwars em mim fez redobrar o meu sentimento de respeito pela minha avó); É espantoso como estas experiências de maternidade lhe permanecem na memória mesmo apesar da idade, apesar das hipoglicémias e da demência. Espero que ela nunca se esqueça destas experiências que a deixaram tão feliz..  
Marta Alves  |  12/12/2018
O bebé feliz tantas vezes não é o bebé sonhado e idealizado por nós... O nosso bebé idealizado é como os dos anúncios, cor-de-rosinha e roliço, porque mamou logo lindamente e assim continua a fazê-lo. Mostra os seus vários sorrisos enquanto dorme sozinho no seu berço, perdido em sonhos, fazendo sestas de 6 horas seguidas. É aqui, que frequentemente começa o nosso desafio enquanto mães...  [Re]conhecer que aquele pequeno ser, que acalantámos no ventre e que agora nasceu, não cabe nessa "caixa" tão perfeitinha. Talvez o nosso bebé tenha nascido e não tenha conseguido logo pegar bem na maminha… Talvez estejamos cheias de dores, mas como sempre ouvimos dizer que "mãe sofre" e que é preciso “criar calo”, achamos que é normal e que vai passar...  Talvez tenhamos tido “ajuda” de um profissional de saúde que nos deu bicos de silicone (que tendencialmente irão causar mais mal do que bem, fazendo com que o nosso bebé ingira menos leite e nos baixe a produção)… ou talvez lhe tenham dado logo um biberon com leite artificial certeza que era uma hipoglicémia (tantas vezes medida na hora “errada”)… Chegamos a casa com o nosso bebé, que não só não dorme nem perto de 6 horas seguidas, muito menos sozinho no berço, como até passa o dia (e a noite!) a pedir mama… de hora a hora! Vem a sogra e diz "Coitadinho, se chora tanto é porque está cheio de fome! Dever ser o teu leite que é fraco e que não o alimenta..." e a tão bem intencionada amiga, opina "Claro, chora porque está sempre ao colo! Estás a habituá-lo mal!" Todos parecem saber melhor do que nós, aquilo que o nosso bebé precisa e fazem questão de partilhá-lo connosco, pondo-nos a questionar se seremos assim tão boas mães. Depois vem o peso... Ah! O peso! Temos um pediatra que se rege pelos percentis "by the book" ou há aquela enfermeira do Centro de saúde que nos cobra cada grama que o nosso bebé não ganhou e já começa a falar em leite de lata… Se juntarmos tudo isto ao cansaço e à privação de sono, teremos um cocktail perfeito para que tudo comece a descambar! Então, essa é a 1ª premissa do bebé FELIZ: começarmos por gerir as nossas expectativas! É essencial que o façamos, porque os bebés como os dos anúncios, afinal, não são a regra, são sim a excepção. Se temos um bebé que nos magoa a mamar (e que talvez nem esteja a ingerir o leite que devia para se alimentar), buscamos ajuda competente! E rápido, porque cada hora que passa, é uma hora a mais que estamos em sofrimento (quase sempre) desnecessário e que o nosso bebé poderia estar a mamar de forma mais eficiente e prazerosa. E é uma hora que podemos estar mais perto de uma lata de leite! Se temos um bebé que pede colo a toda a hora? Parabéns, o nosso bebé é apenas um bebé "normal"! Pensando de um modo mais lato, esta coisa do “bebé independente" é bastante recente em termos de história da evolução da espécie humana e bastante insignificante em termos geográficos, se pensarmos no espaço que as sociedades (supostamente) desenvolvidas ocupam no mapa do mundo - as tais sociedades que pedem a um bebé que ainda não se alimenta sozinho e nem consegue regular a sua temperatura corporal, que seja independente... Bem vistas as coisas, se era para ficarem mal habituados, creio que o facto de terem andado embalados e com bar aberto 24/7 ao longo de perto de 40 semanas, devem ter sido mais do que suficientes. Ou acham mesmo que era só agora, por já estarem cá do lado de fora? Dizem os antropólogos que vivíamos em tribo e que mães e bebés eram acolhidos nas suas necessidades… e que os bebés nasceram para ser carregados pelos seus cuidadores (sempre que possível, a sua mãe)! O que teria acontecido se há cerca de 3 milhões de anos atrás tivéssemos sido deixados sozinhos a chorar? Será que estaríamos aqui hoje para contar a história? Ou teríamos sido comidos por um qualquer predador? Hoje vivemos num mundo altamente tecnológico, mas os nossos bebés não mudaram assim tanto. Os bebés precisam do nosso cheiro, do nosso contacto, da nossa pele para que se sintam seguros. Para que sintam que "chegaram a casa".  Precisam de mama, não só para se alimentarem, mas para muito, muito mais e já sabemos tanto hoje sobre o importante papel da sucção não nutritiva (e não, eles não estão a fazer das nossas mamas uma chucha, porque as nossas mamas já por cá andavam há muito, quando estas últimas chegaram)! Então, afinal, o que é que é preciso para termos um bebé feliz? Salvo as devidas excepções (com alguma patologia que deva ser encaminhada para um profissional de saúde), os bebés recém-nascidos não precisam assim de tanta coisa... Precisam de colo, mama e rabiosques limpos de vez em quando. Precisam que desliguemos mais a parte racional, que nos faz olhar para o relógio e pôr-nos em causa a cada novo bitaite de alguém, que fujamos a sete pés do Dr. Google se nos aparecer com teorias sobre treinos do sono e sobre deixar chorar os bebés “manhosos”... Precisam que sejamos mais mamíferos e menos racionais! Hoje já não vivemos em tribo e sim numa sociedade desafiante, que faz com que sintamos que temos que estar perfeitas 5 minutos após o parto e que, já agora, continuemos com a casa limpa e arrumada e a roupa lavada, passada e pendurada nos cabides. Então, quando o nosso bebé (finalmente) dorme, em vez de descansarmos com ele, vamos a correr (tentar) pôr tudo em ordem. E o resultado é ficarmos ainda mais exaustas…  Tivemos um bebé! E, na minha modesta opinião, é nesse pequeno ser e no nosso bem-estar que nos devemos centrar neste momento.  Daqui a 5 anos ninguém se vai lembrar de como estava a casa. E quando olharmos para as nossas fotos dessa altura, espero que possamos olhar-nos com amor e gentileza por nós próprias.  Aos poucos, vamo-nos (re)conhecendo, neste (novo) papel de mulher-mãe. Aos poucos, vamos voltando ao nosso corpo.  Aos poucos, a vida vai-se arrumando.  E o tempo que passámos a nutrirmo-nos e ao nosso bebé é único e irrepetível! O que é HAPPYbaby? Há momentos em que sentimos que os bebés pequeninos deviam vir com manual de instruções...  HAPPYbaby foi criado a pensar nos desafios e necessidades dos novos pais, como um momento de calma, empoderamento e apoio ao 1º trimestre, promovendo uma parentalidade mais confiante, suave e consciente. Vamos parar, RESPIRAR, observar com os olhos do coração e, perceber o que os nossos bebés nos estão a tentar dizer. Abordamos as diferentes necessidades de ambas as partes e, em conjunto, procuramos o melhor modo as acolher. HAPPYbaby existe em 2 formatos: - Grupo (workshop ou Círculo de mães), vivendo da dinâmica de voltar à tribo, partilhando emoções, estados de alma e vivências, com quem está a passar pelo mesmo que nós. - Consulta individualizada, permitindo uma atenção mais personalizada às necessidades específicas de cada bebé e de cada família. Proporcionamos ferramentas que permitam aos pais "ler" melhor as dicas transmitidas pelo bebé, bem como vários exercícios e técnicas do Baby Yoga, Developmental Baby Massage, Massagem Shantala, Reflexologia Podal Infantil e Babywearing, assim partilhando estratégias que promovem o vínculo, o relaxamento mútuo e oferecem alívio para os principais traumas e queixas infantis mais comuns, como o refluxo, a obstipação ou as tão famigeradas “cólicas”! Os princípios da Developmental Baby Massage (Massagem Terapêutica de Desenvolvimento Infantil) têm sustentação na neurociência e na psicodinâmica e os benefícios do Baby Yoga e do babywearing são reconhecidos tanto pelos seus praticantes, como pela comunidade científica. Através de movimentos e posturas adaptados à realidade multissensorial e corporal dos bebés, do toque, do contacto físico e afetivo, promove-se o desenvolvimento saudável e integral e a relação emocional entre papás e os seus bebés, proporcionando mais harmonia e aumentando a sua autoconfiança. No final, bebés mais calmos e relaxados. E as suas famílias também!