De leite do bebé

Marta Alves  |  11/07/2019
Imagina-te bebé ... Imagina como ao longo de cerca de 40 semanas foi bom e securizante estar permanentemente embalado, num ninho quentinho e com "bar aberto" 24/7 ... Imagina que era quando estava escuro, que a mamã insistia em parar o seu corpo e aquele embalinho gostoso que te fazia dormir tão descansado cessava, fazendo com que, então, tu acordasses para a vida ... Imagina a sensação de contenção, que te abraçava e fazia com que fosse fácil encontrares uma mão, um cordão umbilical ou mesmo um pé, onde pudesses chuchar ... Imagina os sons filtrados que chegam do exterior e todos os ruídos que fazem os processos digestivos, o sangue que corre e o coração da tua mamã, que bate sempre sem parar tumtum, tumtum, tumtum ... Um dia... Um dia tudo isso acabou. Um dia querem convencer-te que bom, bom é dormires SÓZINHO naquele berço tão grande, que até parece não ter limites. Um dia, de repente, é o SILÊNCIO que impera ... Um dia tens um sistema digestivo que tem que se habituar a um novo modo de funcionar e que te dá desconfortos e te faz dar puns e fazer cocós, que depois ficam colados ao teu corpo . Um dia decidem vestir-te aquela roupinha especial, oferecida pela avó querida, mas que é tão cheia de botões, folhos e golinhas... logo a ti, que até há pouco, andavas nu(a) a nadar numa água quentinha ! E depois chega alguém e pergunta se tu estás a ser um "bebé bonzinho"! Não, tu não "estás a ser bonzinho"... O que tu ÉS é um BEBÉ [maravilhoso] que, como todos os bebés, apenas busca aquilo que lhe é FAMILIAR e que te SECURIZA! Buscas a contenção dos [a]braços, o coração que bate pertinho e a voz... ah! aquela voz que te [en]cantava e que já [re]conhecias tão bem, quando ainda estavas lá dentro ! Diz-lhes que não precisas que te "treinem" para dormir, porque é coisa que até já fazias antes de nascer ... Pede-lhes que parem de comparar o teu sono com o dos adultos, porque essa de "dormir como um bebé" já era ! Explica-lhes que para dormires, só precisas de te sentir seguro, de ter a certeza que, sempre que precisares, alguém te vem acudir! Seja fome, má disposição ou desconforto... ou apenas porque estás sózinho e não é suposto saberes o que fazer com isso, porque nunca assim estiveste ! Conta-lhes o teu segredo: o leite da tua mamã é MESMO o melhor do mundo para ti! E o sítio por onde ele sai naturalmente, o mais desejado, seja para te alimentar, seja para poderes continuar a fazer a tua sucção não nutritiva ! E conta-lhes a verdade... Que és APENAS um bebé e que não podem esperar que te habitues e aprendas de repente todas estas coisas que ainda são tão pouco naturais para ti! Depois, securiza-os... Qualquer dia irás ganhar mais maturidade e atingir um estado de desenvolvimento neurológico que já te vai permite dormir por mais tempo... É muito possível que esse processo não aconteça imediatamente, simplesmente porque os bebés não foram feitos para dormir a noite inteira desde há muitos milhares de anos ... Pode demorar, mas garante-lhes que hás-de chegará lá! E,agora que já acabaste de me ler, peço-te que voltes a trazer consciência ao teu estado de ADULT@ e deixa-me fazer-te uma pergunta... Tu gostas mesmo de dormir SÓZINH@ ???
Inês Silva Moreira  |  05/07/2019
A pessoa mais importante da tua vida não é o teu filho. A pessoa mais importante da tua vida és tu.   Sim eu sei o que estás a pensar. É difícil de perceber. Eu também só percebi já a minha filha tinha 2 anos.  Somos mães e somos a maior proteção que os nossos filhos têm. Somos o sim e o não, o aconchego, o colo, somos onde dormem, onde comem e onde refilam. Somos o porto seguro. Somos o mundo e ainda bem. Que assim seja. Mas também somos a Inês, a Sara, a Catarina, a Joana…também somos mulheres. O rótulo de mãe enche-nos de orgulho, eu sei, mas não deixa espaço para mais nada. Na escola ou no médico somos a mãe da Matilde, a mãe da Carolina, a mamã. Não temos nome próprio, quase como se não tivéssemos identidade. Isto faz com que de repente, ao fim de uns quantos meses de maternidade, já não sabemos quem somos, do que gostamos, do que andamos a aqui a fazer. O mundo gira em torno dos nossos filhos. As necessidades deles passam a ser as nossas. E as nossas verdadeiras necessidades onde ficam? Eles precisam de atenção sim, mas nós também.  Quero com isto dizer que, enquanto mãe, tenho consciência que acima de tudo tenho de estar bem para ser uma boa mãe (o que quer que seja que isso signifique). Assim digo-te, de mãe para mãe, sem culpa, sem julgamento: a pessoa mais importante da tua vida és tu. A responsável pelo teu bem-estar és tu. A responsável pela tua felicidade és tu. A vida é tua, não é do teu filho. Ele tem a dele. O teu filho tem o caminho dele, que será feito de mão dada contigo sim até ele ter a confiança para a largar e continuar a construir a sua felicidade. Será justo colarmos esta responsabilidade nos ombros dos nossos filhos? E quando eles largarem a nossa mão, ficamos como? Com os sonhos que não realizámos? Com a nossa identidade perdida? É essa a mãe que queres ser? Ou podemos ser o exemplo de força e perseverança. Podemos mostrar aos nossos filhos que somos pais presentes, que estamos sempre disponíveis para tudo o que precisarem mas também temos as nossas necessidades e que somos capazes de fazer muitas outras coisas para além da parentalidade. Também temos os nossos sonhos, as nossas aventuras, os nossos projectos. Coisas que nos preenchem, que nos nutrem, que nos deixam respirar um bocadinho, para que no fim do dia não sejamos pais cansados que gritam por tudo e por nada e sem paciência. Porque sejamos verdadeiros, isso acontece. E ainda pior, há quem culpe os filhos pelos sonhos que não conseguiram realizar. Porque deram tudo e não sobrou nada para estes pais.  Podemos ser pais realizados, que contagiam os filhos para que também eles possam sonhar livremente e atingir as suas metas, sabendo sempre que independentemente do que possa acontecer, estamos cá para os agarrar, como sempre fizemos desde que nasceram.
Margarida Gonçalves  |  29/05/2019
Eu não tenho filhos, por isso, não vou partilhar convosco uma experiência pessoal de maternidade. Vou falar-vos da experiência da minha avó. A minha avó nasceu no dia 31 de Agosto de 1939 - no dia seguinte deu-se o início oficial da segunda grande guerra mundial, factos que ela gosta de realçar como se um tivesse sido consequência do outro.  Infelizmente, a minha avó tem diabetes tipo II, o mais provável foi também ter tido diabetes gestacional, e isto acarreta consequências. Hoje em dia a minha avó sofre de demência. Uns dias está cá e outros nem por isso. Do que ela se lembra mais vivamente é do passado, tendo uma grande incapacidade para formar novas memórias. Todos os dias, ao fim da tarde, a minha avó vem ter connosco à Clínica, e fica encarregue do turno da noite, como nós gostamos de brincar com ela. Ela sobretudo faz a sua soneca e depois ajuda-nos a fechar a clínica, empilha as cadeiras e arruma os brinquedos Eu acho que ela gosta de cá estar por estar connosco, e em especial também porque, ao ajudar-nos, até se esquece das maleitas que tem. Hoje, antes de começar a sua sesta, estive um bocadinho com ela. Queixou-se de lhe doerem os pés – tem uns sapatos novos e insiste em usá-los porque são fresquinhos e, diz ela, muito confortáveis... Não podemos contradizer uma senhora, não é verdade?!... Contou-me hoje a sua experiência de amamentação, história que eu nunca lhe tinha ouvido. A minha avó teve dois filhos, uma menina primeiro, aos 18 anos (a minha mãe), e depois um rapaz aos 23. Disse-me então que, quando a minha mãe nasceu, o leite não apareceu logo e que o meu avô (jovem farmacêutico de 19 anos) tinha dito que ”ia já buscar o pó”, ao que ela perentoriamente contrapôs: “Não! A força do leite só vem umas horas depois da criança nascer”. Quando o leite apareceu, ficou com as mamas tão grandes que quase não lhes via os bicos. E depois, durante o período em que amamentou a minha mãe, quando sentia que as mamas começavam a encher e a minha mãe ainda continuava placidamente a dormir, ela sentia o leite a sair e a escorrer por ela abaixo e pela cadeira, acabando no chão. A minha avó contou-me isto com grande orgulho e muitas gargalhadas. Orgulho de ter dado leite à filha, orgulho de ter dito que não ao marido (e ele lhe ter eventualmente dado razão) e orgulho no leite tão abundante que jorrava para o chão. Disse-me ela enquando ria: “Eu era uma vaca leiteira!”; e depois a conversa virou para as vacas nos Açores e os imensos prados de que dispõem para pastar. É uma coisa que acontece com frequência nestas nossas conversas: perde o fio à meada e começa noutro tópico.  Mas, nesta conversa com a minha avó, aprendi duas coisas: “A Força do Leite” – neste tempo todo na clínica nunca tinha ouvido esta expressão. O nosso típico “subida ou descida” do leite era, na altura da minha avó, a força do leite. Achei o termo delicioso, e muito mais adequado. A força! (A geek de Starwars em mim fez redobrar o meu sentimento de respeito pela minha avó); É espantoso como estas experiências de maternidade lhe permanecem na memória mesmo apesar da idade, apesar das hipoglicémias e da demência. Espero que ela nunca se esqueça destas experiências que a deixaram tão feliz..  
Marta Alves  |  12/12/2018
O bebé feliz tantas vezes não é o bebé sonhado e idealizado por nós... O nosso bebé idealizado é como os dos anúncios, cor-de-rosinha e roliço, porque mamou logo lindamente e assim continua a fazê-lo. Mostra os seus vários sorrisos enquanto dorme sozinho no seu berço, perdido em sonhos, fazendo sestas de 6 horas seguidas. É aqui, que frequentemente começa o nosso desafio enquanto mães...  [Re]conhecer que aquele pequeno ser, que acalantámos no ventre e que agora nasceu, não cabe nessa "caixa" tão perfeitinha. Talvez o nosso bebé tenha nascido e não tenha conseguido logo pegar bem na maminha… Talvez estejamos cheias de dores, mas como sempre ouvimos dizer que "mãe sofre" e que é preciso “criar calo”, achamos que é normal e que vai passar...  Talvez tenhamos tido “ajuda” de um profissional de saúde que nos deu bicos de silicone (que tendencialmente irão causar mais mal do que bem, fazendo com que o nosso bebé ingira menos leite e nos baixe a produção)… ou talvez lhe tenham dado logo um biberon com leite artificial certeza que era uma hipoglicémia (tantas vezes medida na hora “errada”)… Chegamos a casa com o nosso bebé, que não só não dorme nem perto de 6 horas seguidas, muito menos sozinho no berço, como até passa o dia (e a noite!) a pedir mama… de hora a hora! Vem a sogra e diz "Coitadinho, se chora tanto é porque está cheio de fome! Dever ser o teu leite que é fraco e que não o alimenta..." e a tão bem intencionada amiga, opina "Claro, chora porque está sempre ao colo! Estás a habituá-lo mal!" Todos parecem saber melhor do que nós, aquilo que o nosso bebé precisa e fazem questão de partilhá-lo connosco, pondo-nos a questionar se seremos assim tão boas mães. Depois vem o peso... Ah! O peso! Temos um pediatra que se rege pelos percentis "by the book" ou há aquela enfermeira do Centro de saúde que nos cobra cada grama que o nosso bebé não ganhou e já começa a falar em leite de lata… Se juntarmos tudo isto ao cansaço e à privação de sono, teremos um cocktail perfeito para que tudo comece a descambar! Então, essa é a 1ª premissa do bebé FELIZ: começarmos por gerir as nossas expectativas! É essencial que o façamos, porque os bebés como os dos anúncios, afinal, não são a regra, são sim a excepção. Se temos um bebé que nos magoa a mamar (e que talvez nem esteja a ingerir o leite que devia para se alimentar), buscamos ajuda competente! E rápido, porque cada hora que passa, é uma hora a mais que estamos em sofrimento (quase sempre) desnecessário e que o nosso bebé poderia estar a mamar de forma mais eficiente e prazerosa. E é uma hora que podemos estar mais perto de uma lata de leite! Se temos um bebé que pede colo a toda a hora? Parabéns, o nosso bebé é apenas um bebé "normal"! Pensando de um modo mais lato, esta coisa do “bebé independente" é bastante recente em termos de história da evolução da espécie humana e bastante insignificante em termos geográficos, se pensarmos no espaço que as sociedades (supostamente) desenvolvidas ocupam no mapa do mundo - as tais sociedades que pedem a um bebé que ainda não se alimenta sozinho e nem consegue regular a sua temperatura corporal, que seja independente... Bem vistas as coisas, se era para ficarem mal habituados, creio que o facto de terem andado embalados e com bar aberto 24/7 ao longo de perto de 40 semanas, devem ter sido mais do que suficientes. Ou acham mesmo que era só agora, por já estarem cá do lado de fora? Dizem os antropólogos que vivíamos em tribo e que mães e bebés eram acolhidos nas suas necessidades… e que os bebés nasceram para ser carregados pelos seus cuidadores (sempre que possível, a sua mãe)! O que teria acontecido se há cerca de 3 milhões de anos atrás tivéssemos sido deixados sozinhos a chorar? Será que estaríamos aqui hoje para contar a história? Ou teríamos sido comidos por um qualquer predador? Hoje vivemos num mundo altamente tecnológico, mas os nossos bebés não mudaram assim tanto. Os bebés precisam do nosso cheiro, do nosso contacto, da nossa pele para que se sintam seguros. Para que sintam que "chegaram a casa".  Precisam de mama, não só para se alimentarem, mas para muito, muito mais e já sabemos tanto hoje sobre o importante papel da sucção não nutritiva (e não, eles não estão a fazer das nossas mamas uma chucha, porque as nossas mamas já por cá andavam há muito, quando estas últimas chegaram)! Então, afinal, o que é que é preciso para termos um bebé feliz? Salvo as devidas excepções (com alguma patologia que deva ser encaminhada para um profissional de saúde), os bebés recém-nascidos não precisam assim de tanta coisa... Precisam de colo, mama e rabiosques limpos de vez em quando. Precisam que desliguemos mais a parte racional, que nos faz olhar para o relógio e pôr-nos em causa a cada novo bitaite de alguém, que fujamos a sete pés do Dr. Google se nos aparecer com teorias sobre treinos do sono e sobre deixar chorar os bebés “manhosos”... Precisam que sejamos mais mamíferos e menos racionais! Hoje já não vivemos em tribo e sim numa sociedade desafiante, que faz com que sintamos que temos que estar perfeitas 5 minutos após o parto e que, já agora, continuemos com a casa limpa e arrumada e a roupa lavada, passada e pendurada nos cabides. Então, quando o nosso bebé (finalmente) dorme, em vez de descansarmos com ele, vamos a correr (tentar) pôr tudo em ordem. E o resultado é ficarmos ainda mais exaustas…  Tivemos um bebé! E, na minha modesta opinião, é nesse pequeno ser e no nosso bem-estar que nos devemos centrar neste momento.  Daqui a 5 anos ninguém se vai lembrar de como estava a casa. E quando olharmos para as nossas fotos dessa altura, espero que possamos olhar-nos com amor e gentileza por nós próprias.  Aos poucos, vamo-nos (re)conhecendo, neste (novo) papel de mulher-mãe. Aos poucos, vamos voltando ao nosso corpo.  Aos poucos, a vida vai-se arrumando.  E o tempo que passámos a nutrirmo-nos e ao nosso bebé é único e irrepetível! O que é HAPPYbaby? Há momentos em que sentimos que os bebés pequeninos deviam vir com manual de instruções...  HAPPYbaby foi criado a pensar nos desafios e necessidades dos novos pais, como um momento de calma, empoderamento e apoio ao 1º trimestre, promovendo uma parentalidade mais confiante, suave e consciente. Vamos parar, RESPIRAR, observar com os olhos do coração e, perceber o que os nossos bebés nos estão a tentar dizer. Abordamos as diferentes necessidades de ambas as partes e, em conjunto, procuramos o melhor modo as acolher. HAPPYbaby existe em 2 formatos: - Grupo (workshop ou Círculo de mães), vivendo da dinâmica de voltar à tribo, partilhando emoções, estados de alma e vivências, com quem está a passar pelo mesmo que nós. - Consulta individualizada, permitindo uma atenção mais personalizada às necessidades específicas de cada bebé e de cada família. Proporcionamos ferramentas que permitam aos pais "ler" melhor as dicas transmitidas pelo bebé, bem como vários exercícios e técnicas do Baby Yoga, Developmental Baby Massage, Massagem Shantala, Reflexologia Podal Infantil e Babywearing, assim partilhando estratégias que promovem o vínculo, o relaxamento mútuo e oferecem alívio para os principais traumas e queixas infantis mais comuns, como o refluxo, a obstipação ou as tão famigeradas “cólicas”! Os princípios da Developmental Baby Massage (Massagem Terapêutica de Desenvolvimento Infantil) têm sustentação na neurociência e na psicodinâmica e os benefícios do Baby Yoga e do babywearing são reconhecidos tanto pelos seus praticantes, como pela comunidade científica. Através de movimentos e posturas adaptados à realidade multissensorial e corporal dos bebés, do toque, do contacto físico e afetivo, promove-se o desenvolvimento saudável e integral e a relação emocional entre papás e os seus bebés, proporcionando mais harmonia e aumentando a sua autoconfiança. No final, bebés mais calmos e relaxados. E as suas famílias também!